tag:blogger.com,1999:blog-26788542.post-30268493920654523732007-11-20T19:59:00.000-02:002007-11-20T22:56:02.842-02:00MPB 80 – FinalistasGalera, estes dois discos são totalmente fora do escopo da Caverna – a não ser pelo critério qualidade –, mas merecem estar disponíveis pela raridade e por serem um documento inestimável dos últimos estertores da Música Popular Brasileira.<br /><br />Em 1980, a TV Globo resolveu apostar novamente no formato dos “Festivais da Canção”, que definiu o que se convencionou chamar de MPB, uma música feita, em geral, por pessoas oriundas do meio universitário, com alto grau de sofisticação melódica e lírica e, freqüentemente, abordando temas políticos e sociais que incomodavam o regime militar. Podia ser samba, música regional ou até um híbrido com rock, o rótulo era bem abrangente. Mas, paradoxalmente, não incluía os gêneros realmente populares (melhor dizendo, popularescos), como música cafona, depois chamada de brega, ou sertaneja mais autêntica.<br /><br />No caso do MPB 80, milhares de artistas enviaram canções, que passaram por uma pré-seleção antes das eliminatórias, realizadas no Teatro Fênix, o mega-estúdio onde a Globo gravava seus (bons) programas musicais e bombas como Cassino do Chacrinha. Dessas eliminatórias saíram vinte e dois finalistas, registrados nos dois LPs aqui presentes. Como, não sabe o que é LP? Faça uma pesquisa na Wikipedia, criança!<br /><br />Respeitados os parâmetros da MPB definidos lá em cima, a seleção era um apanhado particularmente feliz do que se produzia em termos de música de qualidade no Brasil – lembrando que o rock brasileiro estava num certo hiato. Temos uma presença forte da música nordestina, incluindo sua vertente mais hermética, representada por “Pinhão na Amarração”, composta por Elomar e defendida por com garra por Décio Marques – como em todas as canções de Elomar, a letra é escrita em “linguagem dialetal sertaneza”, virtualmente incompreensível em alguns momentos. O samba está presente em forma estilizada, na bela “Essa Tal Criatura”, de Leci Brandão, e pura, no samba de roda “Reunião de Bacana”, escrito pelo figuraça Dicró e cantado pelo Exporta Samba. Seu refrão clássico, “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”, continua tristemente perfeito.<br /><br />O gênero dominante seria uma espécie de “música urbana” com toques românticos (sem cair na breguice) e altamente sofisticada. Alguns arranjos chegavam às raias da grandiloqüência, como “Anunciação” e “Porto Solidão”. Nos dois casos, porém, a extrema qualidade dos intérpretes – Zezé Motta e Jessé, respectivamente – nos faz relevar o exagero. Aliás, sinal dos tempos, o desconcertantemente afinado Jessé era pastor protestante, mas defendeu no festival uma música sem qualquer cunho religioso.<br /><br />A grande polêmica (e a coisa mais parecida com rock a dar as caras) ficou por conta de “O Mal É o Que Sai da Boca do Homem”, de Pepeu Gomes e Baby Consuelo. O verso (“Você pode fumar baseado / baseado em que você pode fazer quase tudo”) conquistou a rapaziada e provou a ira da censura oficial. A canção chegou a ser proibida, tocando nas rádios em versão instrumental, mas acabou liberada para a finalíssima.<br /><br />A final, no Maranãzinho, despertou paixões. Imagino que até a desconhecida Mariama tivesse sua torcida. O grande vencedor acabou sendo Oswaldo Montenegro, com “Agonia”, de Mongol – particularmente, acho uma música menor dentro do repertório dele, e nem de longe a melhor entre as finalistas. O segundo lugar ficou com Amelinha, cantando “Foi Deus Quem Fez Você”, enquanto “A Massa”, composta e cantada por Raimundo Sodré, ficou em terceiro. O já citado Jessé levou Melhor Intérprete, e “Rio Capibaribe”, cantada pelo Quinteto Violado, Melhor Arranjo.<br /><br />Mas por que eu falei em estertores lá em cima? Porque, em pouco mais de três anos, o cenário da música brasileira seria varrido por um aluvião de boçalidade chamado BRock. Esqueça a guitarra de Pepeu; o negócio eram dois acordes, se possível errados. Esqueça a afinação de Jane Duboc; o paradigma era Paula Toller, que ainda hoje desafina até em “Parabéns pra Você”. Enfim...<br /><br /><b>Volume 1</b><br /><br /><img src="http://img138.imagevenue.com/loc373/th_95964_MPB_80_1_122_373lo.jpg" alt="image hosted by ImageVenue.com"><br /><br />1. Agonia – Oswaldo Montenegro<br />2. Devassa – Fernanda<br />3. A Massa – Raimundo Sodré<br />4. Porto Solidão – Jessé<br />5. O Mal É o Que Sai da Boca do Homem – Baby Consuelo & Pepeu Gomes<br />6. Rio Capibaribe – Quinteto Violado<br />7. Clareana – Joyce<br />8. Reunião de Bacana – Exporta Samba<br />9. Diverdade – Diana Pequeno<br />10. Choro Alegre – Elza Maria<br />11. Pinhão na Amarração – Décio Marques<br /><br /><a href="http://rapidshare.com/files/71017256/MPB80_1_by_DagdaRock.rar" target="_blank">Download</a><br /><br /><b>Volume 2</b><br /><br /><img src="http://img166.imagevenue.com/loc839/th_95966_MPB_80_2_122_839lo.jpg" alt="image hosted by ImageVenue.com"><br /><br />1. Foi Deus Quem Fez Você – Amelinha<br />2. Tão Minha, Tão Mulher – Maurício Duboc<br />3. Demônio Colorido – Sandra Sá<br />4. Mais Uma Boca – Fátima Guedes<br />5. Hino Amizade – Zé Ramalho<br />6. Saudade – Jane Duboc<br />7. Rasta-Pé – Jorge Alfredo & Chico Evangelista<br />8. Essa Tal Criatura – Leci Brandão<br />9. Nostradamus – Duardo Dusek<br />10. Festa da Carne – Mariama<br />11. Anunciação – Zezé Motta<br /><br /><a href="http://rapidshare.com/files/71017535/MPB80_2_by_DagdaRock.rar" target="_blank">Download</a><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26788542-3026849392065452373?l=cavernadosom.blogspot.com'/></div>Dagdahttp://www.blogger.com/profile/12136444344835783919noreply@blogger.com7