sexta-feira, dezembro 21, 2007

Journey - Journey (1975)

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Antes que o povo comece a espumar por eu ter retomado o blog justo com uma banda chata de arena rock do início dos anos 80, é importante lembrar que nem sempre essa foi a regra do Journey - e certamente não se aplica ao disco de estréia.

Em 1972, o vocalista e tecladista Gregg Rolie e o guitarrista Neil Schon saltaram fora da banda de Carlos Santana. Rolie estava insatisfeito com os rumos cada vez mais latinos do grupo, enquanto Schon sentia pouco espaço para brilhar tendo que competir com o chefe. Juntaram-se ao baixista Ross Valorie, ao guitarrista George Tickner e ao baterista Prairie Prince e formara sua própria banda, que ganhou o nome Journey por sugestão de um roadie.

Prince foi embora após alguns shows, substituído pelo ótimo Aynsley Dunbar, e foi essa formação que entrou em estúdio para gravar o disco de estréia. O resultado é um trabalho fundamentalmente progressivo, com toques de jazz rock. "Of A Lifetime", por exemplo, tem cadeira cativa em qualquer boa coletânea de prog - o mesmo pode ser dito de "Topaz". Fora da sombra de Carlos Santana, Schon dá um show, enquanto o teclado de Rolie e a cozinha de Valory e Dunbar reforçam o clima prog. Tickner não cheira nem fede, tanto que deixaria a banda em seguida.

Nos dois discos seguintes, o Journey baixou a bola do lado progressivo, mas manteve uma boa qualidade musical. Infelizmente, como quase sempre acontece, qualidade não significa boa vendagem. Daí a guinada para um rock cada vez mais comercial, com a entrada do vocalista Steve Perry (Gregg Rolie continuou na banda, mas só como tecladista) e a demissão de Aynsley Dunbar. A banda estourou com o disco Infinity, de 1978, mas foi se tornando cada vez mais previsível. O golpe de morte para os fãs da fase original aconteceu em 1980, quando Rolie pediu demissão e indicou Jonathan Cain para seu lugar nos teclados. Saía o tradicional órgão Hammond para dar lugar aos sintetizadores pasteurizados dos anos 80. Esqueçam "Of A Lifetime", o papo agora era "Don't Stop Believin'".

Ainda bem que temos o blog pra lembrar a fase boa.


1. Of A Lifetime
2. In The Morning Day
3. Kohoutek
4. To Play Some Music
5. Topaz
6. In My Lonely Feeling
7. Mystery Mountain

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12 comentários:

hazzamanazz disse...

Tá, não é minha praia. Para ser sincero eu não gosto nadinha de Journey (sempre preferí meu progressivo mais pesado, ELP e Hawkwind).

Mas o Yes fez coisas boas com sintetizadores, assim como Rick Wakeman.
Zappa - e Tommy Mars - era outro que usava e abusava do instrumento.

Tudo bem, sintetizador quase sempre era sinônimo de música ruim, especialmente nos anos 80.
Mas não vamos culpar o instrumento, pela incompetência e inaptidão de quem os usava, não? ;-)

[ ]'s

PS: Aliás, tu gosta de Hawkwind, Dagda?

Roderick Verden disse...

Gosto do Journey. É um som comercial, mas não descartável. Mesmo na época de "Don't Stop Believin" o grupo criava coisas boas. Gosto muito dos riffs do guitarrista. Esse postado conheci recentemente. Bem superior aos gravados com Steve Perry.

O Razamanaz fez a pergunta pro Dagda, mas vou dar uma de intrometido e responder:
Adoro Hawkwind, um dos grupos que mais gosto. Adoro também sintetizador.

Michel disse...

Uau, que disco ótimo!

Dadga, valeu pela pérola. Esse eu não conhecia e ainda torcia o nariz para o Journey. Só pensava que Neil Schon e Ainsley Dunbar desperdiçavam seus talentos...

adam brown disse...

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Anônimo disse...

Dagda,

Welcome back. Uma bela retomada!

Dagda disse...

Haz, meu caro

Dá pra fazer coisas maravilhosas com qualquer instrumento - Ciro Monteiro era um virtuose da caixinha de fósforos, por exemplo. Até porque um objeto (salvo raras exceções) não é bom ou ruim per se.

O que eu estou dizendo (especialmente no caso do Journey) é que os sintetizadores foram uma ferramenta fundamental na pasteurização do som no fim dos anos 70 e ao longo da década de 80.

Talvez o exemplo mais paradigmático seja o Queen, que, ao longo da década, anunciava orgulhosamente não usar sintetizadores em seus discos. Isso mudou em "The Game", que marca a rendição do grupo ao pop. Dali em diante foi ladeira abaixo.

Isso significa que o sintetizador é uma máquina amaldiçoada, uma espécie de Christine com teclas? Apenas que ele foi chave para a pasteurização da música pop.

O mesmo (e aí vem polêmica) pode ser dito do saxofone, aliás.

Abs

D

Tiago Matias disse...

Discaaaaaaaço!!!!

Falcon The Loner disse...

thanx

AOR-BRAZIL disse...

"uma banda chata de arena rock do início dos anos 80" <== você deve estar louco pra dizer isto... JRNY é melhor banda AOR/Melodic Rock do mundo!!

Dagda disse...

Mas aor-brazil, uma afirmação não contradiz a outra. O Journey da fase Perry era a melhor banda de AOR do mundo, com certeza. Pena que AOR seja um estilo tão chatinho e previsível...

Henrique disse...

Mto bom pra quem conhecia soh a DONT STOP BELIEVIN!!!! tem um bluesao mto ajeitado. Parabens pelo blog mais uma vez. Nao nos deixe orfaos de musica boa!!

AOR-BRAZIL disse...

Bem, uma música (gênero) previsível ou não, acho que isso não importa, ao não ser aos radicais... Se uma música (gênero, estilo)toca uma pessoa, aquela música é a sua música de verdade. Isso é próprio de cada um. Mas está certo, um blog expressa a opinião do administrador realmente, e você acha o AOR chato e previsível. Ok, eu respeito sua opinião, embora seja o AOR a minha verdade,a minha música favorita. O mundo é assim mesmo!
Um grande abraço a todos! :-)