sexta-feira, maio 22, 2009

Sá, Rodrix & Guarabyra – Dois discos

Morreu ontem à noite em São Paulo Zé Rodrix. Quem tem menos de 35 dificilmente sabe de quem se trata – salvo quem milita nos meios publicitário, ocultista e trekker –, o que é uma tremenda injustiça. Carioca, nascido em 1947, Zé Rodrix, aliás, José Rodrigues Trindade, formou-se pela Escola Nacional de Música e estudou teatro no Tablado. Cantava bem e sabia tudo de teclados.

Estreou profissionalmente em 1966 (PQP, ano em que eu nasci), no grupo Momento Quatro, cujo único LP foi lançado em 1968. Depois de um tempo em Porto Alegre, fundou, em 1970, o Som Imaginário, grupo proto-progressivo ao lado de Wagner Tiso e Tavito, entre outros. O grupo fez nome acompanhando Milton Nascimento. Após gravar o primeiro disco do Som Imaginário, pediu as contas.

O ano de 1971 foi fundamental para Zé Rodrix. Venceu o Festival de Juiz de Fora com aquela que seria sua obra-prima, “Casa no Campo”, cuja interpretação de Elis Regina é um momento mágico da MPB. Na bela letra, uma frase chamava a atenção: “Eu quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais”. Esse neologismo seria a chave de seu trabalho seguinte: o trio Sá, Rodrix & Guarabyra, formado com Luís Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra. Em dois LPs, o trio montou uma perfeita simbiose de elementos roqueiros com sonoridades brasileiras e letras com bom humor, romantismo, uma visão mais hippie de mundo e uma certa crítica política.

Rodrix deixou o trio (que seguiu como a dupla Sá & Guarabyra) em 1973, engrenando uma carreira solo de relativo sucesso. Na década de 80 participou de uma fugaz versão do grupo Joelho de Porco, mas jamais conseguiu o mesmo brilho do início dos anos 70.

Paradoxalmente, o autor de músicas impregnadas de filosofia hippie era um fértil produtor de jingles publicitários. Talvez o mais famoso fosse o da Pepsi no início dos anos 70, cujo refrão “só tem amor quem tem amor pra dar” marcou uma geração. Cada vez mais imerso nessa atividade e nos afazeres de produtor musical de teatro e cinema, acabou deixando de lado sua carreira de cantor. Seu último registro de inéditas foi em 1988, com o Joelho de Porco, enquanto sua última gravação foi um ao vivo com Sá e Guarabyra, lançado em 2001.

Além das qualidades musicais, Rodrix era maçom, ligado à Grande Loja da São Paulo, e “oficial” de alta patente da Frota Estelar, atuante fã-clube paulistano de Jornada nas Estrelas.

Como homenagem, a Caverna traz os dois discos seminais que ele gravou com Sá e Guarabyra. Consegui socar os dois num só arquivo.

Passado, Presente e Futuro (1972)



1. Zepelin
2. Ama Teu Vizinho Como A Ti Mesmo
3. Juriti Butterfly
4. Me Faça Um Favor
5. Boa Noite
6. Hoje Ainda É Dia de Rock
7. Primeira Canção da Estrada
8. Cumpadre Meu
9. Crianças Perdidas
10. Azular
11. Ouvi Contar
12. Cigarro de Palha

Terra (1973)



1.Os anos 60
2. Desenhos no Jornal
3. Mestre Jonas
4. Blue Riviera
5. Adiante
6. Pindurado no Vapor
7. O Pó da Estrada
8. O Brilho das Pedras
9. Até Mais Ver

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No vídeo, uma versão recente da genial “Mestre Jonas”:

7 comentários:

Juca Pirama disse...

E lá se vai mais um brasileiro que fazia boa música e que não teve o merecido reconhecimento. Pessoal da minha idade tem nem ideia de quem foi (23 anos), mas sabe bem quem são esses malditos mcs do funk carioca.

teclas pretas disse...

tenho 32 anos e sou fã de sá, rodrix & guarabyra. descanse em paz, mestre rodrix.
GLAUBER

Michel disse...

Nunca fui fã do Zé Rodrix, mas o post do Dagda está muito agradável de se ler. Belo texto.

vortex disse...

Já acompanho seu blog há bastante tempo, agora comecei o meu blog Vortex Metal - http://vortexmetal.blogspot.com/
Como ainda sou novo nesse negócio, ainda não descobri como linkar outros blogs, mas assim que descobrir como se faz o seu estará entre os primeiros.

Kaos disse...

postagem em homenagem ao Zé rodrix com ilustração em mp3 da música Sylvia do Focus de 72 e Mestre Jonas do Sá, Rodrix e Guarabyra no

Salada Mal Lavada

badlywashedsalad.blogspot.com

obrigado Caverna do Som sempre

CHATTERTON disse...

cara eh uma pena que rodrix naum tenha tido o reconhecimento que merecia, mas acho que isso foi o que fez ele morrer fazendo musicas de qualidade, eh triste ele ter morrido, mas agente fica feliz sabendo que ele cumpriu a sua missão na terra!!!

J M Papaléo disse...

Impossível ir pra Sâo Tomé das Letras e não lembrar de Zé Rodrix ... nos Caminhos de São Tomé...